Violet Grohl mostra seu rock de herdeiro

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Violet Grohl lançou, há pouco mais de uma semana, seu primeiro trabalho como artista de rock, intitulado Be Sweet To Me. Gravar um disco solo aos 20 anos é sinal de muita personalidade, talento e vontade. Quando você junta isso a um nome forte e a um determinado amparo de respeito, é sucesso na maioria das vezes.

Para quem sacou, o Grohl em questão é dele, o cara mais legal do rock, o arroz de festas e um dos caras com mais participações em projetos e discos dos últimos 30 anos, Dave Grohl. Sua filha mais velha, Violet, não teve nenhum problema em usar seu nome poderoso para se lançar no mundo do rock. Ela mesma já sinalizou, em uma entrevista à Rolling Stone, que estaria ciente do peso e das acusações de nepo que receberia.

Violet Grohl – Foto: Bella Newman

Personalidade é algo que Violet parece ter. Há tempos ela faz participações ao lado das bandas de seu pai, e sempre de uma forma plena e serena. Já cantou em shows dos Foo Fighters, com integrantes do Nirvana, e nunca titubeou. O mais normal seria gravar um disco.

Rick Beato fez um vídeo recentemente em que fez uma observação que pode casar com o disco e a futura carreira de Violet Grohl. Nele, Beato faz uma breve análise de que só ricos conseguem sucesso na música hoje, pois, resumindo sua perspectiva, o mercado da música está cada vez mais caro e restrito a alguns produtores e compositores.

Uma pessoa que trabalha para sobreviver dificilmente irá conseguir comprar um instrumento, ensaiar, alugar bons estúdios ou ter algum “agenciador” sem antes pensar na sua sobrevivência. Ele cita o caso de Taylor Swift, filha de um magnata, e Miley Cyrus, filha de Billy Ray Cyrus. Eu vou além. Cito Wolfgang Van Halen, Elijah Hewson, filho de Bono Vox e vocalista do Inhaler, e Violet, que é mais uma.

A filha de Dave Grohl possui predicados. Canta bem, é bonita, tem pose de rockstar, tem dinheiro, tem coragem, mas parece não ter tantas histórias para contar. Talvez a pulada de cerca que seu pai deu seja um motivo para se rebelar e querer fazer um disco. São 11 composições, supostamente dela, em parceria com produtores contratados.

Sem assinar sozinha as letras, Violet afirma que as temáticas percorrem sua fase de maturidade. A cantora afirma que usa como pano de fundo inspirações do cinema, mais precisamente obras de David Lynch, como Twin Peaks, para expressar seus sentimentos em palavras.

A produção ficou a cargo de Justin Raisen, que produziu os últimos ótimos discos de Kim Gordon. Raisen disponibilizou a Violet sua trupe de músicos de estúdio e assim gravaram todas as faixas, sem qualquer participação da herdeira de Dave Grohl, pois ela ficou intimidada com a qualidade dos profissionais, segundo seu depoimento à Rolling Stone.

A última faixa, Plastic Couch, tem a participação de Shane Hawkins, o talentoso filho de Taylor Hawkins, ex-baterista dos Foo Fighters, que veio a falecer em março de 2022.

De fato, instrumentalmente o disco é muito bem feito. Cada música lembra algo que já foi feito por aí. A abertura, THUM, lembra Queens of the Stone Age. A faixa 595 me lembrou Hole, banda de uma das desafetas de seu pai, Courtney Love.

O single Bug in the Cake considero um saco difícil de se repetir. Se alguém me colocasse Last Day I Love You sem eu ver os créditos da música, diria com toda certeza que seria uma canção da banda Veruca Salt. Banda essa que já teve uma das namoradas de seu pai.

Big Memory lembra os trabalhos de Billy Corgan, mas não nos Smashing Pumpkins, e sim no Zwan. O restante do álbum é recheado de “semelhanças” com Breeders, PJ Harvey e até Nirvana.

Ao final, Be Sweet To Me é um trabalho razoável, mas um pastiche de bandas dos anos 90, que não traz nada de novo. Ainda assim, pode apontar dois caminhos a Violet: seguir em linha reta, sempre acelerando sem medo, pois, se algum percalço aparecer, terá respaldo; ou então pegar uma curva e se arriscar mais, pois ela parece saber o que está fazendo.

Avaliação: 3 de 5.

Ficha Técnica

Violet Grohl – vocals (all tracks), background vocals (track 8)

Justin Raisen – background vocals (1, 9); bass guitar, additional drums (1); guitar (2–5, 7–9); foley (6) noise guitar (7, 11); reverse percussion, effects, blip box, synthesizer (6); additional vocals, vocal effects (9); drum machine, electronic percussion (10); feedback (11)

Anthony Paul Lopez – drums (1–6, 8–11), guitar (2–5, 8–10), additional guitar (1), percussion (1, 4, 5, 9, 11); synthesizer (6, 10); foley (6, 11); background vocals (6)

Joe Kennedy – guitar (1–6, 8, 9, 11), bass synthesizer (2, 6), bass guitar (4); Mellotron, toy piano (6)

Julio Tavárez – bass guitar (2, 5–7, 9, 11), guitar (2, 5, 7, 9, 10), beatboxing (6); bass synthesizer, drums, synthesizer (10)

Ainjel Emme – guitar (3–5, 7, 8, 11), bass guitar (3, 5, 8), background vocals (5, 8, 11)

Persia Numan – background vocals (3)

Joseph P. Zizzo – drums (7)

Brad Lauchert – guitar, keyboards (10)

Shane Hawkins – additional drums (11)

Justin Raisen – production (all tracks)

Anthony Paul Lopez – production, engineering, mixing (all tracks)

Joe Kennedy – production (4)

Ainjel Emme – vocal production (all tracks), additional engineering (8)

Brad Lauchert – production (10), engineering (all tracks)

Mike Bozzi – mastering

Samuel Bugress-Johnson – art direction and design

Bella Newman – photog

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