A cantora Willow Smith, mais conhecida apenas como Willow, sem o poderoso sobrenome, é filha do premiado e controverso ator Will Smith. Ela tem 25 anos e acaba de lançar seu oitavo álbum, denominado The Thread.
Em um primeiro momento, chama atenção uma artista tão nova já ter lançado oito discos. Isso pode soar estranho, mas não para Willow. Seu primeiro trabalho foi aos 15 anos, pela gravadora Roc Nation, de Jay Z, considerado um mentor para ela. Mas, pasmem, aos 10 anos Willow já havia lançado singles.

A filha do esquisito Will Smith tem um talento imensurável, e o oitavo trabalho mostra claramente isso. Diferentemente de Violet Grohl, outra nepobaby, sobre quem fiz uma crítica do primeiro trabalho lançado recentemente e que ainda está à procura de uma identidade, Willow mostra ser uma artista completa e sabe exatamente o que está fazendo.
Ficou evidenciado em todo o disco que Willow atingiu uma maturidade musical digna de grandes artistas neste momento da carreira. É uma música adulta, que lembra, em alguns momentos, Sade, em outros, Fiona Apple, além de muito jazz. O álbum percorre o R&B, o jazz, o fusion, o rock e o progressivo, mas com uma elegância e uma qualidade que faltam a várias cantoras da atualidade.
A cantora teve muitas fases na carreira, mas, desde que apareceu na cena, a qualidade sempre foi o principal destaque para boa parte da crítica. Ela percorreu o pop, o rock e o punk, com feats ao lado de Travis Barker, passou pelo indie rock, pela neo soul e pelo famigerado jazz, com direito a feat com Kamasi Washington, além de colaborações com Jon Batiste, St. Vincent, George Clinton e muitas outras personalidades da música.

O álbum é um apanhado de tudo o que Willow absorveu ao longo da carreira e vem na esteira de Petal Rock Black, disco lançado há cinco meses, que reúne gravações e composições feitas desde 2024, mas que serve como um fio condutor para este novo trabalho da artista. Talvez por isso tenha recebido o nome de The Thread.
Faixa a faixa
O disco começa com She’s My Religion e, já na largada, ela mostra o que o ouvinte vai encontrar. Ótimas melodias vocais, o violão como condutor, uma guitarra bem colocada, variações, pausas e um instrumental primoroso. As faixas The Thread e Unconditional refletem exatamente o que foi descrito aqui.
A canção Talk on the Hill me chamou a atenção como single e mostra o quanto Willow é uma ótima cantora e musicista. Pop da mais alta qualidade. Em Hell to Pay, ela brinca com a voz, e seus agudos bem pontuados são o ponto alto, uma aula de modernidade na medida certa, sem exageros. Inclusive, essa é uma das principais qualidades do disco.
Shrink to Fantasy, a faixa de R&B do álbum, é a união da maestria com requintes de paixão. Crush on Eternity é o rock à la Willow, charmoso, suave e contemporâneo. Já Tall Baby possui uma guitarra com um timbre que lembra os momentos mais melódicos dos Smashing Pumpkins, com a pegada elegante de John Frusciante. É mais uma canção de rock do disco, mudando de nuance a todo momento e cantada maravilhosamente bem. Dá para dizer que lembra um rock progressivo feito nos anos 80. Tem peso, tem jazz, tem a maestria vocal de Willow, tem tudo. A melhor do disco.
O álbum termina com The Present Moment e Bone Collector, um bom jazz moderno. A música explora o sintetizador, o piano Rhodes, a bateria marcante e, mais uma vez, os trabalhos vocais de Willow.
The Thread teve a produção de Chris Greatti, responsável por outros trabalhos da cantora, e, pela qualidade, deve angariar boas resenhas e prêmios ao longo do ano. Isso, é claro, se Willow não decidir lançar outro bom trabalho até dezembro. A ver.