Confesso: não conheço o trabalho da Charli XCX, nem sei como se fala o número romano em inglês, mas resolvi ouvir seu novo disco. Afinal, está todo mundo falando dele, desde sites de música que admiro até as mesmas plataformas de sempre, influenciadores e críticos que “gosto”. Esse seria o disco rock da Charli.
Mas, por não conhecê-la, fui atrás de algumas informações sobre a garota, leonina, de 33 anos. Olha, o signo de Leão já me faz entender um pouco por que ela está atormentada ultimamente e por que fez esse disco.

Music, Fashion, Film (MFF) é o oitavo disco de estúdio da Charli, o primeiro depois do aclamado Brat, que dizem ser sua obra-prima. Não ouvi essa obra-prima. Vou me recuperar primeiro deste. Mas vou ouvir.
MFF foi produzido por A. G. Cook e Finn Keane, os mesmos que produziram a dita obra-prima. Vou procurar ser sucinto aqui, sem perder muito tempo.
O disco é curto, ainda bem. São 11 músicas em 30 minutos. A capa é melhor que o conteúdo, com pessoas que chancelariam o trabalho, se ele fosse bom. Tem só gênio ali. O inigualável John Cale, uma das cabeças do Velvet Underground, o magnífico cineasta Martin Scorsese e Marc Jacobs, famoso estilista americano. Aliás, todos referências para a britânica Charli.

A cantora quis mostrar, nas letras e nas entrevistas recentes, que está atormentada. Tipo igual ao menino Ney. Algo como: “como é difícil ser Charli”.
Musicalmente, o disco foi composto no estilo rock. Sabe? O rock. Mas não um rock qualquer. É o Cool Rock, termo que inventei aqui, porque na Wikipédia têm denominações piores que essa minha. Lá fala que o disco é pop (concordo), eletrônico (concordo), grunge (what the fuck?) e slacker rock (para, né? Sério isso?).
Vamos às músicas
Rock Music: Hum, sei. É um cool rock e acaba logo, porque hoje tem que ser assim. Para os novos ouvintes é para não entediar muito. Para mim também.
SS26: Essa eu gostei mais. Ao vivo deve soar mais legal que no disco, mas entrega algo interessante. E a Charli entrega bons momentos vocais.
Card Declined: Deve estar na moda fazer esse estilo de rock hoje. Soa moderno, soa lo-fi, soa de qualquer jeito, mas não soa verdadeiro. Do nada, mudou para um estilo mais despojado e rock à Avril Lavigne, o que me fez sentir saudades da original.
Camera: Ponto alto pela guitarrinha e pela pegada pop.
2007: Funcionaria bem em 2007, quando a Charli ainda tinha 15 anos e nem sonhava em ser a popstar que seria.
I’m Afraid: Eu também senti medo quando comecei a ouvir esse som.
Yeah: Aqui já começou a soar tudo igual.
Wink Wink: Já está ficando difícil avaliar.
Persona: Aqui já começou a soar tudo igual, parte 2.
Magic Metal Montana: Eu até pensei que aqui viria um metal, só porque tem a palavra no nome, afinal é um disco de rock. Se eu fosse o produtor, falaria para colocar uma bateria de verdade aqui, pois soaria diferente e melhor. Vale pelo jeito sussurrado de cantar da visionária.
No One Lasts Forever, feat. David Cronenberg: Nem o David salvou essa.
A Pitchfork deu nota 8, e eu nem fui atrás para entender essa avaliação tão alta. As demais publicações pelo mundo afora também ovacionaram o disco. A Popload fez uma baita análise, deu cinco P’s, o que equivale a cinco estrelas, eu acho. Recomendo irem lá, porque do meu mato não vai sair um coelho melhor que esse. Eu achei o disco chato e fraco.