Down on the Upside, mais Led Zeppelin, menos Black Sabbath.

Soundgarden: 30 anos de Down on the Upside

Tempo de leitura: 5 min

O álbum Down on the Upside, do Soundgarden, quinto trabalho de estúdio do grupo de Seattle, completou no dia 21 de maio, 30 anos. O disco foi lançado em meio a tensões entre os integrantes, principalmente entre Chris Cornell e Kim Thayil, que disputavam o processo de criação e os novos caminhos que o quarteto deveria seguir. Cornell queria arriscar mais e Thayil lutava para manter o peso de outros lançamentos.

A opção de Cornell era incorporar outros estilos e instrumentos, algo realizado aos poucos no aclamado Superunknown, de 1994, e que colocou a banda como nome de peso no cenário do rock mundial. O que se pôde comprovar foi que Cornell ganhou essa disputa, já que Thayil possui apenas uma composição solo, enquanto o vocalista assina 7 das 16 faixas, sendo que três destas viraram hits radiofônicos e na MTV. Foram elas: Pretty Noose, Blow Up the Outside World e Burden in my Hand.

Down on the Upside ficou menos Black Sabbath e mais Led Zeppelin. Instrumentos acústicos, como o violão e o bandolim, aparecem em muitas oportunidades na obra. O vocal de Cornell ganha destaque frente aos instrumentos, e a qualidade sonora realçada no trabalho anterior com Michael Beinhorn, conhecido como exigente e detalhista, ficou de lado, fazendo com que o grupo soasse como se estivesse tocando ao vivo.

Para os fãs, o que ficou claro é que o lado soturno de Superunknown ficou um pouco para trás, dando espaço a temas menos pesados. Talvez esse rompimento que vinha ocorrendo entre os integrantes permitiu que as músicas soassem mais com a cara de cada membro, já que há composições divididas, como as de Ben Shepherd, por exemplo, que assina seis faixas do álbum.

Apesar das desavenças, o grupo estava em seu auge musical. Cornell era reverenciado como um dos melhores vocalistas de sua geração, Thayil fazia ótimos riffs, Shepherd era um baixista técnico e criativo, além de ser um ótimo compositor, e Matt Cameron se consolidava como um dos maiores bateristas daquela cena de Seattle, algo que ele nunca conseguiu repetir no Pearl Jam.

O álbum foi produzido pela própria banda, com a colaboração de Adam Kasper na mixagem, em Seattle. Os músicos queriam mesmo se afastar de todo o verniz criado no trabalho anterior e optaram pelo controle total da produção, com a menor interferência externa possível.

O trabalho foi lançado em um momento no qual o rock já vinha disputando espaço com artistas do pop, do rap e da música eletrônica. Um peso maior para o quarteto foi a morte de Kurt Cobain, que direcionou o Soundgarden a ser um dos herdeiros da cena grunge ao lado do Pearl Jam, que lançava álbuns menos comerciais, e do Alice in Chains, que havia lançado anos antes o EP Jar of Flies, completamente diferente de todos os seus trabalhos, deixando o peso de lado e apostando em orquestrações e violões, algo que viria a ser explorado com mais força no acústico lançado no mesmo ano de Down on the Upside.

Soundgarden em 1996 – Foto: Donaldson Collection

O disco foi bem recebido pela crítica, vendeu cerca de 1,6 milhão de cópias nos EUA e 4 milhões pelo mundo, atingiu o segundo lugar na parada Billboard 200 em seu lançamento e foi indicado ao Grammy.

Foi o último trabalho de estúdio da banda, que veio a terminar em 1997, retornando em 2012 e encerrando as atividades de vez em 2017, após a morte de Chris Cornell.

Down on the Upside é um ótimo álbum que, apesar do desgaste emocional que o grupo sofria, deixou claro o poder melódico, criativo e experimental de uma das melhores bandas daquela geração, que foi se apagando aos poucos, puxada pela tragédia de Cobain e overdoses de outros tantos, mas que ajudou a delinear caminhos para vários artistas.

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