Tiny Music... Songs from the Vatican Gift Shop

Stone Temple Pilots: 30 anos de Tiny Music

Tempo de leitura: 4 min

Tiny Music é o terceiro trabalho dos californianos do Stone Temple Pilots, considerado o ponto de ruptura da banda com aquela sonoridade grunge dos dois primeiros discos. Neste trabalho, o quarteto liderado pelos irmãos DeLeo (Robert, guitarrista, e Dean, baixista), além de Eric Kretz, baterista, e o frontman Scott Weiland, abraçam outras sonoridades com um disco puxado ao Glam Rock de David Bowie, um pouco de psicodelismo, jazz e bossa nova, expandindo não só os horizontes musicais dos STP, como mudando radicalmente o jeito de cantar de Weiland, que deixou o grave à la Eddie Vedder para trás e assumiu seu próprio vocal, hora rouco, hora bem melódico e despojado.

O disco foi gravado após um breve hiato, em 1995, causado pela forte dependência química, que fez a banda cancelar a turnê do segundo disco, Purple.

Após uma breve reabilitação, eles se reuniram em uma casa rancho isolada na Califórnia, junto com engenheiros, roadies e o produtor Brendan O’Brien, e começaram a planejar e reunir mais de 30 composições feitas pelos irmãos DeLeo.

Stone Temple Pilots – Foto: Ken Lubas / Los Angeles Times

Após as escolhas, entregaram o material para Weiland escrever as letras e realizaram as gravações em doze dias, cercados de momentos de sobriedade em alguns períodos e lidando com escapadas do vocalista à procura de drogas. De qualquer forma, a banda passou a experimentar novos arranjos junto da angústia das letras de Weiland, e saiu com um disco que soa como se estivesse sendo tocado ao vivo.

Lançado em 26 de março de 1996, o álbum possui 14 faixas, intercaladas com duas instrumentais e uma variedade de estilos condensados em 41 minutos de um peso abrasivo, setentista, moderno, cool, sexy e combativo ao mesmo tempo. Três músicas viraram hits de rádio e da MTV.

Big Bang Baby ao vivo no David Letterman

O clipe simples e caótico de Big Bang Baby alavancou e chamou atenção logo de cara para a mudança que viria, pelo menos naquela ocasião. Lady Picture Show e Trippin’ on a Hole in a Paper Heart foram as outras que performaram razoavelmente bem, cada uma com seu estilo peculiar para uma banda constantemente chamada de cópia do Pearl Jam. Em Purple isso já tinha começado a ficar distante, mas em Tiny Music a diferença ficou evidente.

Parte da crítica odiou, enquanto outra reconheceu a vontade e o talento da banda em se desafiar artisticamente. O álbum estreou em quarto lugar na parada Billboard 200. Três músicas chegaram ao topo da Mainstream Rock Tracks e alcançaram números modestos de vendas pelo mundo. Nos EUA, vendeu dois milhões de cópias, sendo certificado duas vezes com platina e, quando tudo indicava que a banda conseguiria sair em uma longa turnê de divulgação, os velhos problemas com drogas de Weiland voltaram a aparecer e afetar a convivência e a agenda.

Conflitos e turbulências à parte, Tiny Music foi o disco mais audacioso de uma banda constantemente rotulada como cópia de grupos de Seattle. O álbum atestou a capacidade de composição do quarteto e fez de Weiland um dos melhores vocalistas e frontmans de sua geração.

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