A banda paranaense de Campo Mourão, Cigarro Mata, acaba de lançar seu primeiro álbum cheio, homônimo. No release entregue para a imprensa, aparece a linha fina: gravado no estúdio Costella, em São Paulo, com produção de Alexandre Capilé e master de Gabriel Zander.
Que banda hoje não passa pelas mãos de Capilé e Zander? Os caras são competentes, mas muita coisa fica com a mesma cara, além de parecer que as bandas de fora do circuito cool paulistano precisam da chancela da Costella Produções. Só quem não faz esse caminho são as bandas gaúchas. Talvez por isso elas tenham uma sonoridade diferente das demais.

Posto isso, a banda paranaense Cigarro Mata é uma boa banda. Além do nome, no mínimo engraçado, são bons musicalmente, pelo menos é o que parece e o que a mixagem e a “produção” à la Costella deixam transparecer. Só o fato de não se autointitularem como uma banda shoegaze já é outro ponto positivo.
Um dia, todo mundo é psicodélico. No outro, todos são shoegazers. O Cigarro Mata faz um pós-punk com doses do bom emo — não aquele horroroso do início dos anos 2000 — e timbres que remetem ao Violeta de Outono dos anos 80.
Outro ponto que dou crédito e admiro nos caras: todos têm o visual de outsiders do rock. Eu admiro pessoas que fazem rock e não têm o arquétipo rockista. Quer uma banda de exemplo? Os Pixies. No Cigarro Mata, um tem cara de menino criado a leite com pera, outro de roqueiro fora do estilo e outro de rapaz de TI. É sério mesmo, adoro bandas assim. O Cigarro Mata é composto por João Marcelo (guitarra e voz), Luiz Fernando (contrabaixo) e João Victhor (bateria e voz).

Vamos ao som. Se tem uma coisa boa das bandas Costellers, é que o baixo aparece bem. E, eu sendo um baixista frustrado, aprecio muito isso. As músicas do Cigarro Mata pedem linhas de baixo legais, e eles entregam, graças ao Luiz Fernando, o contrabaixista do power trio.
Bons momentos do disco
O álbum abre com Cedo Demais, que delineia quase todo o disco. Ela é um bom abre-alas para a banda e mostra que os meninos são legais.
Gostei da pegadinha de CD riscado de Lindamente.
Tanto Faz é um punkinho bem legal. E o menino João Marcelo rebelde dá liga. Parabéns, menino. Canta bem e toca idem.
Se For para Ser me lembrou os Titãs do primeiro disco, misturado com Los Hermanos. Tava Bom, se aumentassem as guitarras e diminuíssem o vocal, seria mais um som shoegazer mesmo. Ainda bem que isso não ocorreu, ficaram no post-punk dos anos 80 mesmo. Mais um ponto positivo.
As demais seguem no mesmo padrão.
Eu vou deixar os pontos de atenção apresentados pelo menino João Marcelo no release da banda, porque acho que faz sentido, apesar de eu não ser o cara que reproduz releases.
“Esse disco tomou a forma que tomou de um jeito espontâneo, a gente não tinha algo super definido quanto ao conceito, nem antes e nem durante as gravações. A gente tinha músicas que foram escritas em momentos diferentes das nossas vidas, mas que representavam, cada uma do seu jeito, o que nós como banda temos pra dizer e a forma como a gente vinha se sentindo naquele momento”, explica o vocalista e guitarrista João Marcelo Prevedel.

“Só depois de tudo gravado que nos sentamos para conversar sobre possíveis ordens das músicas e percebemos de verdade que tinha ali uma narrativa que fala sobre relacionamentos, o fim deles e o depois”, complementa. “É um álbum meio raivoso e contemplativo em certos momentos, justamente por conta da imensa realização que foi pra nós estar gravando essas músicas juntos, especialmente em um estúdio como o Costella.”
Não sei se eles um dia ouviram Colorido Artificialmente, banda mineira de 20 anos atrás, pois vejo uma certa semelhança. Apesar de achar que eles preferem ser citados como Os Menores Atos. De qualquer forma, eu ouvi alguns trabalhos anteriores da banda e vejo vida fora do padrão, se é que me entendem.
Ficha Técnica:
TÉC. DE GRAVAÇÃO: Alexandre Capilé
AUX. DE GRAVAÇÃO: João Manoel
TÉC. DE MIXAGEM: Alexandre Capilé
MASTER: Alexandre Capilé e Gabriel Zander
PRODUZIDO POR: Edwardes Neto e Cigarro Mata
GRAVADO, MIXADO E MASTERIZADO NO ESTÚDIO COSTELLA, SÃO PAULO, EM 2025
Lançado pela Nap Nap Records em Agosto de 2026