Projeto de 10 faixas explora a música eletrônica, a polirritmia e a cultura nordestina; obra audiovisual conta com a direção do artista visual Raul Luna.
O músico, compositor e produtor pernambucano Bruno Tenório, radicado no Reino Unido, lançou, em março deste ano, seu álbum de estreia, intitulado NAUPENC. Composto por 10 faixas, o trabalho é acompanhado por um filme experimental homônimo dirigido pelo artista visual e designer gráfico Raul Luna.
Baterista desde os 12 anos, Tenório transita da performance instrumental para a composição e produção executiva no novo projeto, que funde música eletrônica, experimentalismo e elementos pop. O disco tem o ritmo como elemento central: três faixas contam com bateria acústica, enquanto as sete restantes são estruturadas sobre padrões eletrônicos.
A concepção sonora do álbum fundamenta-se no estudo de polirritmia e ostinatos executados por sintetizadores, com influências que vão das práticas do frevo e do forró, absorvidas no Conservatório Pernambucano de Música, a referências do rock progressivo, da música eletrônica e do pop.
Produção e colaborações
O álbum foi co-produzido por ele, em parceria com object blue, Mari Herzer (que também atuaram na engenharia de mixagem) e Bruno Saraiva (integrante da banda Kalouv), que assina a co-produção e os sintetizadores adicionais em cinco faixas.
O trabalho traz ainda as participações de Rafael Cadena (da banda Cangaço) nas guitarras e violões de duas faixas, e de Thiago Duarte na percussão. A masterização foi realizada pelo engenheiro de som britânico Beau Thomas, produtor que fez sua carreira nos anos 90 na música eletrônica, como DJ nos estilos Jungle e Drum ´n´Bass, além de ter realizado trabalhos com Aphex Twin.

O filme experimental
O projeto audiovisual NAUPENC, dirigido por Raul Luna, contextualiza a obra sonora em uma narrativa de ficção científica ambientada em uma versão alternativa do Brasil nos anos 1980. Na trama, o país é retratado como uma potência nuclear que desenvolve o “NAUPENC”, um programa de terapia digital.
A narrativa acompanha um protagonista submetido a um escaneamento corporal e transportado para um ambiente virtual, no qual enfrenta um ataque de malware e passa por um processo de fragmentação de memória.
Destaques e veredito
O projeto do Bruno Tenório, radicado em Londres, explora o ambient à la Brian Eno dos anos 70, um pouco de Soft Cell, sintetizadores, beats eletrônicos e espasmos sonoros dançantes em muitos momentos. Quando incorporados os instrumentos orgânicos, como violões, baterias e percussão, fica ainda melhor.
Destaques para a faixa-título, “Naupenc”, “Permanáculo” e “Anedonia”, além da música “Waste”, para fechar os olhos e fritar, no bom sentido.