Capa do primeiro disco dos Ramones, em uma foto tirada por Roberta Bayley

RAMONES: 50 anos do disco de estréia

Tempo de leitura: 4 min

Hoje faz 50 anos de um dos discos mais importantes para a história do rock, e não falo isso somente porque os Ramones são a banda da minha vida. O álbum homônimo desses nova-iorquinos desajustados mostrou ao mundo como era fácil e simples fazer boas músicas, sem toda a megalomania que imperava naquele momento da música.

Vídeo sobre o disco no Instagram @eferamosbr

O rock estava sério demais em todos os aspectos, e esse disco simplificou tudo. Simplificou a melodia, pegando os sons de bandas de surf music, girls groups, misturou com a estética sonora de bandas como os Stooges, New York Dolls, MC5, Velvet, Sonics, e traduziu tudo em três acordes, sem firulas, sem solos e sem malabarismos sonoros. Saiu o suingue, o groove, entrou o som seco, áspero, direto e reto.

Eles simplificaram as letras ao traduzir as vivências das ruas, algo que o rap fez depois com maestria, e relataram a visão de mundo de quatro caras, cada qual com suas filosofias e ideais, de um modo que foi fundamental para a retórica punk. As letras falavam de drogas, violência, homossexualidade, prostituição, desilusão social, nazismo, rebeldia adolescente, tudo, mais uma vez, de um modo simples e direto.

Simplificaram também a estética. Eram quatro caras munidos de jeans rasgados, jaquetas de couro surradas, com nomes simples, sendo apenas eles, posando encostados em um muro e virando história e matriz para várias bandas. Nada ali soou pensado, ajustado pelo marketing ou por publicitários de plantão. Eram caras comuns, fazendo aquilo de que gostavam, sem se preocupar, pelo menos naquele momento, com o business e o mercado.

O primeiro disco dos Ramones mostrou a uma legião de pessoas que tudo era possível. É um disco feito para os excluídos socialmente. O não músico podia fazer música, o feio podia soar cool e interessante, o menos inteligente, ou o menos intelectual, tinha algo a falar tão importante quanto.

Um disco à frente do seu tempo, e que sofreu por ser assim, sendo reconhecido e venerado décadas depois, mas que foi fundamental para a criação do rock pesado. Eu coloco Black Sabbath e os Ramones como as duas principais bandas da música rápida e pesada, cada qual com suas particularidades, mas bandas fundamentais não só para o rock, mas para a música em geral.

Poderia falar das músicas, mas todas ali foram alicerce dos shows da banda enquanto ela estava na ativa. Desse disco surgiu o eterno grito “Hey Ho Let’s Go”, na música Blitzkrieg Bop, entoado em vários shows. Tem gente que grita isso e nem sabe que veio desse disco. 

O álbum foi lançado em 23 de abril de 1976. São 14 músicas em 29 minutos de pura energia e sinceridade, gravados pela formação inicial, Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy, que, infelizmente, não estão mais por aqui. O produtor Craig Leon, que foi fundamental para sintetizar o que eles faziam ao vivo, ainda está vivo, assim como a Roberta Bayley, que tirou a foto e fez a capa. 

O meu disco é uma versão australiana, com uma capa cor verde. Mas a capa raiz, o som raiz dos Ramones, está aí, disponível em muitas formas. Hey Ho Let’s Go.

Avaliação: 5 de 5.

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