Músico brasileiro fez carreira internacional com técnica, genialidade e carisma, presente nos maiores hits pop, de Michael Jackson, Madonna, Prince a Offspring e Red Hot Chilli Peppers.
Sempre surgem discussões e comentários entre críticos, jornalistas e fãs sobre qual artista brasileiro de fato fez uma carreira internacional bem-sucedida. Aparecem nomes como Tom Jobim, João Gilberto, Sérgio Mendes, Mutantes, Sepultura, Cansei de Ser Sexy e até da Anitta, mas o nome Paulinho da Costa só é lembrado pelos aficionados por música e fichas técnicas de discos, algo pouco usual nos dias de hoje. Mas sim, Paulinho da Costa é um dos maiores, senão o maior músico brasileiro fora de seu país, e que acaba de estrear o documentário na Netflix que resume sua genialidade e carisma, utilizados por centenas de artistas mundo afora.
The Groove Under The Groove: Os Sons de Paulinho da Costa, do produtor Oscar Rodrigues Alves, teve quase 10 anos de produção, estreou em 2025 na Semana Internacional da Música, de São Paulo e foi disponibilizado no streaming, um ano depois, na última semana, dia 6.

Paulinho, como é chamado pelos artistas do quilate de Quincy Jones, Michael Jackson e produtores estrangeiros, é um dos maiores percussionistas do mundo. Quase todo hit pop, desde os anos 70 até hoje, tem a batida de Paulinho da Costa impressa na música.
Para se ter uma ideia, a percussão e o toque de midas do músico aparecem em I Will Survive, mega hit disco de Gloria Gaynor; Don’t Stop ‘Til You Get Enough, do rei do pop Michael Jackson, música do álbum Off the Wall, e em quase todos os discos de sua carreira; La Isla Bonita, de outra majestade do pop, a rainha Madonna; All Night Long, de Lionel Richie, entre tantas outras.
O músico também tocou no disco Purple Rain, do Prince, em discos do Earth, Wind and Fire e em artistas de todos os espectros e estilos musicais possíveis, indo de Rod Stewart, Elton John, Dizzy Gillespie, ao pós punk dos Talking Heads, ao punk rock do Offspring, ao funk rock alternativo dos Red Hot Chilli Peppers e milhares de outros que você possa pensar.
Paulinho foi tão importante para Michael, que o astro pop deu carta branca para ele colocar o que quisesse em suas músicas. Em Don’t Stop ‘Til You Get Enough, ele já dá o ar da graça do início ao fim, com vários instrumentos percussivos e um som extraído de uma colher de chá, que permeia os quatro minutos da música. Em Wanna Be Startin’ Somethin, o músico simplesmente colocou o som de uma cuíca no meio da canção. Na faixa hit “La Isla Bonita”, de Madonna, a música começa com seus tambores, com direito a aparecer no clipe da artista.
O percussionista também fez carreira em trilhas sonoras premiadas do cinema, como o tema (I’ve Had) The Time of My Life, do filme Dirty Dancing, película estrelada por Patrick Swayze e Jennifer Grey, que minha irmã me fez assistir umas 75 vezes, só nos anos 80, e na premiada trilha de A Cor Púrpura, de Steven Spielberg e produzida por Quincy Jones.
Quincy foi um dos produtores fundamentais na carreira de Paulinho da Costa. Ele aparece no documentário, antes de sua morte, ao lado do percussionista, dando diversos relatos e falando da importância do brasileiro em seus trabalhos. O documentário ainda aponta Norman Granz, fundador da Pablo Records, e que lançou dois discos solos do percussionista, o músico de jazz Dizzy Gillespie e o famoso músico brasileiro Sérgio Mendes como pessoas centrais em sua carreira.
De tocador de pandeiro do Irajá para o mundo
O filme conta a história do menino do subúrbio carioca do Irajá e seu amor, ainda criança, pelas batidas do samba e pelo pandeiro. Paulinho tocou em diversos lugares, como boates e inferninhos, até chamar a atenção de músicos, que o indicaram para um intercâmbio na Europa, indo parar na Rússia, ficando por três meses.
De volta ao Brasil, o percussionista passou a acompanhar diversos artistas, como Alcione, e a tocar em vários discos de prestígio nacional, até chamar a atenção de Sérgio Mendes, que já tinha uma carreira consolidada nos Estados Unidos, para fazer parte de sua banda e excursionar pelo mundo.
Há várias imagens dessas apresentações, onde se mostra Paulinho como peça central da banda de Mendes, chamando atenção com o pandeiro, berimbau e vários instrumentos percussivos, além do seu famoso sorriso. Sim, o sorriso, além de ser uma marca registrada do artista, é tido por vários profissionais que dividiram o estúdio com o gênio como um dos pontos fundamentais para a sua música dar certo. Em um certo momento, dizem que até o seu jeito de dar risada é suingado.
Depois de fazer nome internacional, ele é convidado a mudar para Los Angeles, onde, junto a sua esposa, Alice Costa, permaneceu por mais de 40 anos e hoje se divide em passagens pelo Brasil.
O documentário conta com depoimentos de Will.i.am, dos Black Eyed Peas, do baixista Verdine White, do Earth, Wind and Fire, um dueto sensacional com Bill Weathers, além do rei Roberto Carlos, Ivete Sangalo, Zeca Pagodinho e de Carlinhos Brown, que o leva à Bahia, com direito a uma passagem por um terreiro de candomblé.
O filme termina de forma emocionante, com Paulinho voltando ao seu local de origem, o Irajá, e recebendo homenagem da escola de samba Portela, uma de suas paixões.
Em aproximadamente 01 hora e quarenta minutos, a história de Paulinho da Costa é resumida com várias imagens de arquivo e histórias narradas por ele mesmo.
Paulinho, que participou da faixa We Are the World e terá seu nome em uma das estrelas na calçada da fama de Hollywood, como um justo reconhecimento de sua brilhante carreira e importância para a música, fez parte de mais de 160 indicações ao Grammy Awards, estando presente em músicas de 59 vencedores. Gravou mais de seis mil faixas com cerca de 970 artistas e ultrapassou 180 álbuns e singles de ouro e platina.
Sua estreia no streaming fará com que o Brasil possa reconhecer e reverenciar um artista que ficou conhecido internacionalmente pela técnica, genialidade musical e pelo seu carisma, pontos fundamentais para ser eternizado e lembrado para todo o sempre.
La Isla Bonita, minha música preferida! Ótima matéria!!! Parabéns
Valeu Regina